Nível elevado de açúcar no sangue piora a resposta imune à covid-19

Assim como hipertensão e condições cardíacas, a diabetes aparece frequentemente na lista das doenças que podem elevar os riscos na enfermidade causada pelo novo coronavírus Sars-CoV-2, a covid-19. Isoladamente, é a segunda causa mais associada a quadro grave em pacientes diagnosticados para o novo coronavírus – doenças cardíacas são a principal.

Segundo Ricardo Cohen, coordenador do Centro de Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, a diabetes está associada a um quadro agravado de covid-19 por acarretar uma piora no sistema imunológico. “A toxicidade da glicose elevada no sangue piora em muito a resposta imune”. Assim, quando um paciente está sem controle do nível de açúcar no sangue, qualquer doença infectocontagiosa pode se desenvolver em um quadro clínico mais sério.

Cohen explica que os pacientes de doenças crônicas como hipertensão e diabetes, se estiverem tomando medicamentos para controle dessas enfermidades, poderão ter um ganho imunológico, uma vez que o organismo está sob controle. O médico frisa que o controle por medicamentos e do consumo de açúcar não evitam o contágio, mas podem diminuir a chance da evolução do quadro para uma forma crítica. No entanto, é importante saber que taxa de glicose elevada isoladamente não é indicativo de diabetes ou de quadro agravado.

O especialista ressalta ainda que, se nos exames a glicemia em jejum dá alterada junto com outros índices, como hemoglobina glicada e triglicérides, esses valores já representam um diagnóstico de diabetes. Do contrário, não existe nenhum indicativo de que a alta do açúcar vá agravar um quadro infeccioso como o contágio do novo coronavírus. “Em outras epidemias virais respiratórias, como a gripe H1N1, nenhum dos estudos apontou uma relação de agravamento do quadro em pacientes com taxa de glicose alta”, afirma.

Os cuidados, no entanto, são importantes para evitar a associação com outras enfermidades. Os pacientes com a chamada síndrome metabólica – sobrepeso, sedentarismo, glicemia, colesterol e
triglicérides elevados no sangue – associada a outras enfermidades, como hipertensão, apresentam risco dez vezes maior de ter uma piora em qualquer tipo de infecção, bacteriana ou viral, segundo Cohen.

“Nós temos discutido nos grupos de médicos que a melhor orientação é conversar com os nossos pacientes e adequar a medicação nessa época de pandemia, pois ela vai ajudar a controlar o sistema imunológico. E isso aliado a uma alimentação saudável e prática de exercícios físicos”, completa.

Data: 06/04/2020
Fonte: O PARANÁ