Caso seja indicada a cirurgia bariátrica, o paciente receberá o apoio necessário dos cirurgiões e de toda equipe multidisciplinar do Centro Especializado em Obesidade e Diabetes.

A cirurgia, também conhecida como cirurgia da obesidade, ou, popularmente, redução de estômago, reúne técnicas com respaldo científico destinadas ao tratamento da obesidade e das doenças associadas ao excesso de gordura corporal ou agravadas por ele. O conceito de cirurgia metabólica foi incorporado há alguns anos pela importância que a cirurgia adquiriu no tratamento de doenças relacionadas a obesidade – como o diabetes.

Conheça os mitos e verdades sobre a Cirurgia Bariátrica

Clique na imagem abaixo para ver o infográfico.

Mitos e Verdades da Cirurgia Bariátrica
Conheça as modalidades de cirurgias bariátricas e metabólicas:

Bypass Gástrico (Gastroplastia com desvio intestinal em “Y de Roux”)

Estudado desde a década de 60, o bypass gástrico é a técnica bariátrica mais praticada no Brasil, correspondendo a 70% das cirurgias realizadas, devido a sua segurança e, principalmente, sua eficácia.

O paciente submetido à cirurgia perde de 40% a 45% do peso inicial.

O paciente submetido à cirurgia perde de 40% a 45% do peso inicial.

Nesse procedimento é feito o grampeamento de parte do estômago, que reduz o espaço para o alimento, e um desvio do intestino inicial, que promove o aumento de hormônios que dão saciedade e diminuem a fome. Essa somatória entre menor ingestão de alimentos e aumento da saciedade é o que leva ao emagrecimento, além de controlar o diabetes e outras doenças, como a hipertensão arterial, apneia do sono, dentre outras.

Gastrectomia Vertical

Nesse procedimento, o estômago é transformado em um tubo, com capacidade de 80 a 100 mililitros (ml). Essa intervenção provoca boa perda de peso, um pouco menor que o bypass gástrico e maior que a proporcionada pela banda gástrica ajustável. É um procedimento relativamente novo, praticado desde o início dos anos 2000.

Duodenal Switch

É a associação entre gastrectomia vertical e desvio intestinal. Nessa cirurgia, 85% do estômago é retirado, porém a anatomia básica do órgão e sua fisiologia de esvaziamento são mantidas. O desvio intestinal reduz a absorção dos nutrientes, levando ao emagrecimento. Criada em 1978, a técnica corresponde a 5% dos procedimentos e leva à perda de 40% a 50% do peso inicial. Tem algumas desvantagens como sua complexidade técnica e risco maior de desnutrição à longo prazo. É feita com pouca frequência no Brasil e pelo mundo.

Reoperações

Além de procedimentos bariátricos estabelecidos, o Centro Especializado em Obesidade e Diabetes está preparado para realizar atendimentos de alta complexidade, incluindo reoperações por diferentes causas. O Centro Especializado em Obesidade e Diabetes dispõe de profissionais capacitados contando com excelente infraestrutura hospitalar para sua realização com segurança.

Cirurgia para o Diabetes do Tipo 2: Cirurgia Metabólica

Para entender como funciona a cirurgia para o diabetes é importante definir as diferenças entre cirurgia bariátrica e metabólica. As operações bariátricas são indicadas quando o indivíduo tem problemas secundários somente ao ganho de peso como, doenças de coluna e articulares, refluxo gastroesofágico e incontinência urinária dentre outros, mas não tem outros problemas metabólicos como o diabetes e a hipertensão.

Os procedimentos são iguais tanto na cirurgia bariátrica quanto na metabólica, porém os objetivos são diferentes. No segundo caso, trata-se da melhora dos componentes da síndrome metabólica – pressão, glicemia e colesterol – independente do IMC do paciente. Existem diversos trabalhos em literatura que demonstram benefícios a indivíduos com síndrome metabólica, não adequadamente tratados com a melhor terapêutica clínica, independente de seu IMC, que têm resultados satisfatórios a longo prazo.

Enquanto o IMC atualmente representa um parâmetro significativo na indicação da cirurgia bariátrica, existem evidências de que o IMC sozinho não deve ser fator limitante para eventualmente indicar o tratamento cirúrgico para diabetes tipo 2.

Estudos Clínicos

Desde o início dos anos 2000, estudos feitos em animais e seres humanos vêm mostrando que existem ações antidiabéticas nas cirurgias metabólicas, que independem da perda de peso e do IMC, chamados de mecanismos antidiabéticos diretos. Por causa desses estudos, nos quais o Brasil é pioneiro, especialistas do mundo todo começaram a perceber a importância dessas cirurgias para tratar o diabetes.

Mundialmente, o diabetes tipo 2, mesmo com as drogas mais modernas, é de difícil controle. A partir dessa informação, esforços foram feitos para que houvesse um consenso entre diversas especialidades para modificar a indicação de cirurgias para diabéticos não controlados.

Doenças relacionadas

No final de 2014, se estabeleceu um índice chamado: “Escore de Risco Metabólico”, que são vários itens relacionados à gravidade das doenças que acompanham o diabetes. Por exemplo, se o indivíduo tem um histórico familiar de diabetes, isso tem um peso nesse cálculo. Na soma, o indivíduo tem que ter um mínimo número de pontos e não ser controlado clinicamente, ou seja, não conseguir manter o controle do diabetes com medicação.

Como se trata de uma doença crônica e progressiva, sempre haverá um nicho de pacientes que responde ao tratamento clínico e outro que não. Esse será apto a fazer a cirurgia metabólica, que é hoje a melhor forma conhecida para o tratamento da obesidade e do diabetes. A utilização na prática diária do escore de risco metabólico está em avaliação pelo Conselho Federal de Medicina.

Iniciativa Mundial

Essa não é uma iniciativa somente brasileira. A International Diabetes Federation, que reúne as Sociedades de Diabetes no mundo, a Argentina, Chile, Austrália e Inglaterra, já reformulou suas indicações operatórias para os diabéticos mal controlados. Em setembro de 2015, um grupo de 50 especialistas – entre endocrinologistas, pesquisadores básicos e cirurgiões – se reuniu em Londres e chagaram a um consenso de indicação cirúrgica, que tem apoio de grandes sociedades de diabetes mundiais, como a Norte Americana, Europeia e a Brasileira.