O que é diabetes?

Dados da Organização Mundial da Saúde divulgados em abril de 2016 estimaram que existem 422 milhões de diabéticos tipo 2 no mundo. Um número que quadruplicou desde 1980.

Afeta 01 em cada 11 pessoas

Este aumento alarmante pode estar relacionado ao crescimento do número de indivíduos com sobrepeso e obesidade, porém o fator muito mais importante é a distribuição inadequada da gordura abdominal, que pode estar relacionada a diversos fatores, incluindo hábitos de alimentação incorretos e falta de atividade física.

Tipos de Diabetes

Os tipos de diabetes mellitus prevalentes são o tipo 1 e o tipo 2.

Diabetes Tipo 1

O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune, ou seja, as próprias células de defesa do indivíduo passam a reconhecer o pâncreas como um corpo estranho e começam a “atacá-lo”, causando morte das células produtoras de insulina (células beta). Por esse motivo, o tratamento diabetes tipo 1 deve ser feito com insulina.

Os mecanismos responsáveis por este defeito nas células de defesa não são bem conhecidos e, por isso, ainda não é possível tratar a causa.

Diabetes Tipo 2

O diabetes tipo 2 tem como causa principal o aumento da gordura visceral (abdominal). Este acúmulo de gordura gera um processo inflamatório que aumenta a resistência à ação da insulina nas células do corpo. Isso faz com que o pâncreas necessite produzir cada vez mais insulina para vencer essa resistência, o que gera um processo lento de morte das células beta do pâncreas.

50% dos diabéticos não sabem que possuem a doença
50% dos diabéticos não sabem que possuem a doença

Prevenção do Diabetes Tipo 2

A melhor maneira de prevenir o diabetes tipo 2 é manter hábitos de vida saudáveis e conservar um peso adequado, principalmente não deixando acumular a gordura no abdome.

Quando existe histórico de diabetes tipo 2 na família este cuidado deve ser maior, pois as chances de ser diagnosticado com a doença aumentam.

Existem também os pré-diabéticos, que são aqueles que possuem os níveis de glicose no sangue elevados, porém em níveis inferiores aos portadores de diabetes do tipo 2. As glicemias maiores que 100 mg/dL e glicemias pós-prandial (após alimentação) de 2 horas entre 140 e 199 mg/dL fazem o diagnóstico de pré-diabetes. Além de orientação nutricional e a prática de atividades físicas, pode-se iniciar medicação para impedir a piora da hiperglicemia. Isto deve ser decidido pelo endocrinologista que assiste o paciente.

Diabetes Tipo 1 X Diabetes Tipo 2

Diabetes Tipo 1 Diabetes Tipo 2
Idade de início Geralmente em jovens, mas pode ocorrer em qualquer idade. Geralmente após os 40 anos, mas pode ocorrer em qualquer idade, até em crianças (especialmente com obesidade).
Insulina Não produz. Produz pouco e/ou é resistente à insulina.

Tratamento do Diabetes

Tratamento do DiabetesO melhor tratamento clínico para o Diabetes Tipo 2 é aquele que, em terapia combinada, age contra as causas da doença e preserva ao máximo a massa de células beta do pâncreas (produtoras de insulina).

Várias são as medicações que podem ser prescritas para os portadores de diabetes tipo 2. A metformina é o primeiro passo, sendo uma droga que melhora a sensibilidade das células à ação da insulina do paciente. Com a progressão da doença, existem outros agentes farmacológicos que auxiliam o controle desta doença.

Quando o melhor tratamento clinico disponível não for suficiente para o controle adequado do diabetes tipo 2, a cirurgia metabólica pode ser recomendada.

Existem remédios que aumentam a produção de insulina pelo pâncreas, chamados de sulfonilureias, porém atualmente têm seu uso limitado pelas complicações causadas no organismo, como hipoglicemia e até ganho de peso.

Uma nova classe de drogas antidiabéticas foi introduzida recentemente e tem como ação o aumento da excreção de glicose pelo rim. Finalmente, pode-se utilizar as insulinas para o controle do diabetes tipo 2. A introdução de insulina, apesar de levar a um aumento de peso e aumentar a chance de hipoglicemias, se faz necessária se as medicações orais não foram suficientes para atingir a meta de controle das glicemias que é necessário para evitar complicações da doença no rim, olhos, extremidades (pés principalmente) e vasos (coração e cérebro).

Cirurgia metabólica

Cirurgia metabólicaA partir de 2002, apareceram estudos em animais não obesos e diabéticos que melhoraram o controle da doença após cirurgias que “desviaram” o trajeto da comida no aparelho digestivo. A partir desses experimentos, nosso grupo realizou um piloto de um protocolo de pesquisa de cirurgia sobre o aparelho digestivo em pacientes com Diabetes Tipo 2 (DMT2) e não portadores de obesidade grau 3 com o objetivo único de tratar o Diabetes Tipo 2 (DMT2). A partir de então, no Brasil e no mundo, foram realizados vários estudos em animais e seres humanos de mecanismos de ação e resultados de operações sobre o aparelho digestivo para, junto com a medicação, controlar o diabetes foram publicados.

Define-se então cirurgia metabólica como qualquer intervenção do tubo digestivo, que tem como finalidade o controle do diabetes do tipo 2, com ou sem medicação através de mecanismos independentes da perda de peso, e também secundariamente por perda de peso.

 Complicações Crônicas do Diabetes tipo 2

Alteração Local Consequência
Acometimento de vasos pequenos e finos (microangiopatia diabética) Rim Doença renal (Nefropatia) Complicações Crônicas do Diabetes tipo 2
Olhos Alteração na retina ou catarata: de dificuldade para ver até cegueira
Acometimento de vasos mais calibrosos (macroangiopatia diabética) Cérebro Derrames
Coração Infarto, Angina pectoris
Pernas e pés Deficiência de circulação, gangrena
Acometimento de nervos (neuropatia diabética) Periférica Diminuição ou perda de sensibilidade, formigamento, dores em pernas e pés
Autonômica Alteração da pressão, tonturas, impotência, alterações de urina, diarreia, sensação de empachamento no estômago
Microangiopatia + Macroangiopatia + Neuropatia combinadas Pés Pé diabético: Feridas (úlceras), gangrenas, alterações em articulações (Artropatia de Charcot), edema
Boca Úlceras, língua fissurada, gengivite, abscessos recorrentes, infecções, dores

Mantendo seu diabetes sob controle, você consegue evitar as possíveis complicações da doença.