Cuidar dos pés evita amputações em diabéticos

Especialistas indicam que autoexame diário e cuidados redobrados para evitar ferimentos reduzem em até 58% as chances de amputações.

O diabetes é uma das doenças mais comuns do mundo, com cerca de 390 milhões de pessoas acometidas nos seis continentes. Apenas no Brasil, de acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, estima-se que 13 milhões de pessoas sejam atingidas pela doença.

A boa notícia é que, tanto no tipo um, quanto no tipo dois da condição, o paciente pode controlar os efeitos do problema no corpo, evitando uma das complicações mais graves: a amputação de membros inferiores.

A gangrena em diabéticos ocorre porque o alto nível de açúcar no sangue compromete o funcionamento de nervos, causando a chamada “neuropatia periférica” e também endurecendo as paredes das veias, o que leva à diminuição do fluxo sanguíneo e à obstrução de vasos menores. Por conta disso, dedos, pés e tornozelos podem perder sensibilidade, o que deixa esses locais mais sujeitos a machucados indolores.

De acordo com dados epidemiológicos divulgados pelo hospital Oswaldo Cruz, 80% das amputações não causadas por traumas têm ligação direta ao diabetes, e 85% dessas perdas de membros foram precedidas pelo aparecimento de lesões superficiais nos pés.

Segundo a cirurgiã plástica do Centro de Obesidade e Diabetes do Hospital Oswaldo Cruz, Dra. Isa Dietrich, a atenção diária ao próprio corpo é o maior aliado dos pacientes contra o agravamento de feridas.

“O paciente deve ficar atento e procurar um médico ao menor sinal de rachaduras, frieiras, calos, cortes, feridas e deformidades dos dedos e da planta do pé. Aqueles que têm dificuldades de fazer o autoexame podem usar um espelho para ter uma visão completa de todo o pé ou pedir ajuda de um parente, cuidador ou enfermeiro“, explica Dietrich.

Especialistas afirmam que com simples cuidados é possível reduzir em 50% as chances de amputação. Para se manter seguro, além do autoexame e do controle dos níveis de glicemia, através de dieta adequada e uso de insulina, há outras precauções adicionais, como cortar as unhas apenas em podólogos, para evitar machucados de difícil cicatrização, não caminhar descalço em nenhum ambiente, incluindo praia ou piscina, e utilizar calçados adequados.

Tênis, sandálias e sapatos apertados, de moldes que não sigam os formatos dos pés ou de materiais rígidos, podem prejudicar a circulação sanguínea, piorando ainda mais a saúde da pele, do músculo e das juntas. Os modelos que mais costumam ser confortáveis são os de esportes, como os vendidos pela Puma, Nike, adidas e outras marcas focadas em ergonomia, mas é sempre válido avaliar junto ao médico suas necessidades individuais

Data: 26/01/2021
Fonte: JORNAL MG TURISMO