Saúde: A importância do controle da obesidade

A definição da obesidade é realizada de acordo com o índice de massa corpórea (IMC), calculado através do peso dividido pela altura ao quadrado e classificada da seguinte maneira: IMC entre 25,0 e 29,9 Kg/m2: sobrepeso; IMC entre 30,0 e 34,9 Kg/m2: obesidade grau I; IMC entre 35,0 e 39,9 Kg/m2: obesidade grau II; IMC maior do que 40,0 Kg/m2: obesidade grau III.

A obesidade é considerada uma pandemia, devido ao aumento importante de sua prevalência ao longo dos últimos anos. Entre 1980 e 2013, a proporção de sobrepeso ou obesidade entre adultos aumentou de 28,8% para 36,9% entre homens e de 29,8% para 38,0% entre mulheres, sendo que a média do IMC mundial aumentou 0,4 kg/m2 por década em homens e 0,5 kg/m2 por década em mulheres.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que em 2025 cerca de 2,3 milhões de adultos possuam sobrepeso e 700 milhões sejam obesos, fazendo com que a obesidade seja considerada caso de saúde pública.⁣

O que se sente?

De acordo com o Centro Especializado em Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, o excesso de gordura corporal não provoca sinais e sintomas diretos, salvo quando atinge valores extremos.

Pacientes obesos apresentam limitações de movimento, tendem a ser contaminados com fungos e outras infecções de pele em suas dobras de gordura, com diversas complicações, podendo ser algumas vezes graves. Além disso, sobrecarregam a coluna e membros inferiores, apresentando, em longo prazo, degenerações (artroses) de articulações da coluna, quadril, joelhos e tornozelos, além de doença varicosa superficial e profunda (varizes) com úlceras de repetição e erisipela.

A obesidade é fator de risco para uma série de doenças ou distúrbios que podem ser:

Condições associadas – hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, doenças cérebro-vasculares, diabetes mellitus tipo 2, câncer, osteoartrite, pedras na vesícula, aumento dos triglicérides, aumento do colesterol, diminuição de HDL (“colesterol bom”), aumento da insulina, intolerância à glicose; distúrbios menstruais/infertilidade e apneia do sono.

Assim, pessoas obesas apresentam severo risco para uma série de doenças e distúrbios, o que faz com que tenham uma diminuição muito importante da sua expectativa de vida, principalmente quando são portadores de obesidade mórbida.

Prevenção da obesidade

A prevenção da obesidade deve ser iniciada desde a infância, adotando-se hábitos saudáveis pela família e incentivando a prática de atividades físicas, pois a construção de tais hábitos ocorre nessa fase.

O aumento de estímulos externos ocasionados pela televisão e internet incentivaram o consumo de alimentos industrializados ricos em carboidratos e gorduras trans, o que pode explicar, em parte, o aumento da incidência de obesidade na população.

Tratamento da obesidade

A mudança do estilo de vida, que compreende reeducação alimentar e atividade física, é a base do tratamento clínico da obesidade. Sem ela, dificilmente se atingirá uma perda de peso necessária para melhorar a saúde e, muito menos, essa perda será duradoura.

Para a nutricionista Luíse Nogueira, a alimentação é um componente extremamente importante na mudança de estilo de vida, necessário em seu tratamento. “Para isso, utilizamos a reeducação alimentar. Com ela, o paciente aprende quais os tipos de alimentos devem ser consumidos, de qual maneira e em quais proporções. Diferente de uma dieta restritiva, na reeducação alimentar o paciente pode consumir todos os tipos de alimentos, porém com equilíbrio. Dessa forma, conseguimos conquistar uma alimentação saudável de forma consistente e duradoura”, pondera.

Segundo Luíse, a presença de uma equipe multidisciplinar no tratamento da obesidade é fundamental, para que sejam alcançados bons resultados, sempre priorizando um tratamento de qualidade e individualizado. ⁣

São especialistas de diversas áreas (educador físico, psicólogo, médico endocrinologista, nutricionista, fisioterapeuta, etc.) totalmente focados no tratamento de forma integrada, com o objetivo de oferecer mais qualidade de vida aos pacientes. ⁣

Reeducação alimentar

Independente do tratamento proposto, a reeducação alimentar é fundamental, uma vez que, através dela, se reduz a ingestão calórica total e o ganho calórico decorrente.

Dentre as diversas formas de orientação dietética, a mais aceita cientificamente é a dieta hipocalórica balanceada, na qual o paciente receberá uma dieta calculada com quantidades calóricas dependentes de sua atividade física.

Não são recomendadas dietas muito restritas (com menos de 800 calorias, por exemplo), já que são restrições drásticas que têm pequena aderência do paciente e de difícil manutenção em longo prazo.

Dietas somente com alguns alimentos (dieta do abacaxi, por exemplo) ou somente com líquidos (dieta da água) também não são recomendadas, por apresentarem vários problemas. Dietas com excesso de gordura e proteína também são bastante discutíveis, uma vez que pioram as alterações de gordura do paciente, além de aumentarem a deposição de gordura no fígado e outros órgãos.

Exercício

É importante considerar que atividade física é qualquer movimento corporal produzido por músculos esqueléticos que resulta em gasto energético e que exercício é uma atividade física planejada e estruturada com o propósito de melhorar ou manter o condicionamento físico.

O exercício apresenta uma série de benefícios para a pessoa obesa, melhorando o rendimento do tratamento com dieta. Entre os diversos efeitos estão: diminuição do apetite, aumento da ação da insulina, melhora do perfil de gorduras, melhora da sensação de bem-estar e autoestima.

Deve-se se realizar exercícios regulares, pelo menos de 30 a 40 minutos, ao menos 4 vezes por semana, inicialmente leves e, a seguir, moderados. Essas atividades, em algumas situações, podem requerer auxílio de um profissional e ambiente especializado, sendo que, na maioria das vezes, a simples recomendação de caminhadas rotineiras já provoca grandes benefícios, estando incluída no que se denomina “mudança do estilo de vida” da pessoa.

Tratamento medicamentoso para obesidade

Existem poucas opções medicamentosas liberadas para ajudar no tratamento no Brasil. A indicação de se associar medicamentos ocorre quando há dificuldade de perda de peso somente com a mudança do estilo de vida ou quando existe necessidade de ajudar a tratar certos comportamentos alimentares, associados principalmente a alterações emocionais.

Conforme o Centro Especializado em Obesidade e Diabetes, dispõe-se de medicações liberadas para tratamento de obesidade como a sibutramina (aumenta a saciedade e pode ter efeitos colaterais como taquicardia, dor de cabeça, insônia e boca seca), que não deve ser usada para pessoas com risco cardiovascular, o orlistate (diminui a absorção de gordura pelo intestino e pode ter efeitos colaterais como diarreia e dor abdominal quando se ingere alimentos gordurosos) e liraglutida (análogo do hormônio GLP-1, também usado para tratamento de diabetes, e que diminui o esvaziamento gástrico e aumenta a saciedade. Seus efeitos colaterais mais comuns são náuseas, diarreia e dor de cabeça geralmente transitórias, e que, na maioria dos casos, cessam com o decorrer do tempo).

Outras possibilidades terapêuticas compreendem medicações que ajudam no controle da ansiedade e do hábito beliscador, como topiramato e alguns antidepressivos.

A indicação da melhor medicação para ser utilizada no tratamento da obesidade, quando necessária, vai depender do perfil e da dificuldade de aderir à dieta adequada de cada pessoa.

Tratamento cirúrgico

As operações bariátricas e metabólicas têm sido cada vez mais indicadas para o tratamento da obesidade e de suas doenças associadas.

As indicações atuais são: pessoas com Índice de Massa Corpórea (IMC) acima de 40 kg/m2 e peessoas com IMC maior que 35 kg/m2, que apresentem comorbidades (doenças agravadas pela obesidade e que melhoram com o tratamento eficaz) que ameacem a vida, tais como diabetes tipo 2, apneia do sono, hipertensão arterial, doenças do colesterol, doença coronariana, osteoartrites e outras.

As pessoas com IMC acima de 35 kg/m2 são chamadas de obesas grau 2 (acima de 40, obesidade grau 3) e, com o tratamento clínico, com mudanças de hábitos alimentares e a prática de atividades físicas, associado a medicações, tem chances de perda de peso e principalmente da manutenção do peso perdido a longo prazo, enquanto que os submetidos à cirurgia bariátrica têm ótima eficácia em termos de perda ponderal e controle das doenças associadas.

Aquelas pessoas portadoras de obesidade grau 3 têm indicação cirúrgica após tentativas de tratamento clínico e comportamental sem a necessidade da presença de doenças associadas.

Já aquelas pessoas que têm IMC abaixo de 35, porém não têm doenças associadas, devem tentar o tratamento clínico antes, com chances de conseguir resultados razoáveis.

Data: 19/10/2020
Fonte: FOLHA DO SUL GAÚCHO ONLINE /BAGÉ