Obesidade: causas, diagnóstico, como tratar e prevenir.

Mais da metade da população brasileira é considerada obesa ou tem sobrepeso. A barriguinha saliente pode esconder problemas grave de saúde, como pressão alta ou diabetes. Antes de procurar a primeira dieta que encontrar na internet, a saída é esclarecer este assunto e entender sobre o melhor tratamento a ser feito em casos de obesidade.

O que é a obesidade?

Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a obesidade é caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal. A Organização Mundial da Saúde (OMS) complementa dizendo que a obesidade está associada a riscos para a saúde por causa de sua relação com complicações metabólicas, como aumento da pressão arterial, dos níveis de colesterol e triglicerídeos sanguíneos e resistência à insulina.

Obesidade infantil A obesidade infantil também tem diversas causas, mas segundo a OMS, o aumento do número de crianças obesas têm relação direta com a disponibilidade e tipo de alimento consumido por elas, associada a um declínio na atividade física, que resulta em desequilíbrio energético.

O que isso nos mostra?

Que as crianças não estão se alimentando bem e que elas estão adotando hábitos cada vez mais sedentários. Como consequência disso, segundo o Ministério da Saúde, elas estão desenvolvendo precocemente doenças ligadas à obesidade, como diabetes e hipertensão.

Obesidade no Brasil Segundo os dados da pesquisa de 2018 da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (VIGITEL), do Ministério da Saúde, a obesidade atinge 19,8% dos brasileiros, enquanto que 55,7% da população tem excesso de peso, principalmente entre 18 e 24 anos. Causas de obesidade A SBEM afirma que são muitas as causas da obesidade.

A pessoa pode ter predisposição genética, comportamentais, metabólicas e hormonais no peso corporal, mas também pode desenvolver principalmente com a adoção de maus hábitos alimentares e sedentarismo.

Algumas funções endócrinas também podem levar ao aparecimento da doença. É por este motivo que os especialistas recomendam o acompanhamento de um profissional para orientar qualquer tentativa de emagrecimento. Fatores de risco A obesidade é fator de risco para muitas doenças.

Quando um indivíduo desenvolve este distúrbio, se torna mais propenso a desenvolver outros, como: Hipertensão Diabetes tipo 2 Doenças cardiovasculares Apneia do sono Aumento do triglicérides Artrite e artrose Pedra na vesícula Refluxo esofágico Tumores de intestino e de vesícula Além disso, a obesidade também pode desencadear desordens psicológicos, o que pode levar a uma diminuição da autoestima e doenças como ansiedade e depressão.

Sintomas de obesidade O ganho de peso não é necessariamente um sintoma, e o ganho de gordura também não faz com que o corpo manifeste uma doença, desde que esses valores não sejam extremos, segundo o Centro de Obesidade e Diabetes (COD) do Hospital Oswaldo Cruz.

Uma das formas para medir a quantidade de gordura no corpo e conferir se você está no caminho da obesidade é o Índice de Massa Corpórea (IMC). Além dele, o percentual de gordura e a circunferência de quadril. Segundo a OMS, é por meio desse valor que é possível medir se a pessoa tem chance de desenvolver doenças cardiovasculares.

Diagnóstico IMC O Índice de Massa Corpórea é um dos dados capazes de definir se o peso está adequado à altura. Segundo o Ministério da Saúde, o valor é capaz de determinar se a pessoa está com magreza, sobrepeso ou obesidade.

O cálculo é simples: divida o seu peso (em quilos) pela sua altura (em metros) elevada ao quadrado. Para simplificar, IMC= peso / altura². O COD do Hospital Oswaldo Cruz mostra que quando uma pessoa atinge o IMC entre 25 e 29,9 kg/m², ela está com sobrepeso.

Quando ela está com o IMC entre 30 e 34,9 kg/m², ela está com obesidade grau I. Quando o IMC está entre 35 e 39,9 kg/m², ela está com obesidade grau II e quando o indicador é maior que 40 kg/m², a pessoa está com obesidade no grau III.

Circunferência da cintura Com uma fita métrica é possível medir o tamanho da região do abdômen. Segundo a OMS, um valor superior a 94 cm para homens e 80 cm para mulheres pode ser indicativo para doenças ligadas ao sistema cardiovascular.

Isso acontece pois é nesta região abdominal que a gordura visceral é concentrada, e ela pode sinalizar problemas relacionados ao aumento da pressão arterial e diabetes, por exemplo.

Quais exames são necessários?

Os exames necessários e complementares para o diagnóstico, segundo o Manual de Diretrizes para o Enfrentamento da Obesidade na Saúde Suplementar Brasileira, da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), variam, pois dependem do resultado do IMC.

Com o dado numérico, unidades de saúde devem fazer o direcionamento para estratégias de prevenção e tratamento. Ou seja, a partir do que o paciente apresenta, a equipe de saúde vai conseguir seguir um protocolo de investigação para ver se há alguma comorbidade, se é um problema endocrinológico, de família, e então fazer os exames específicos para ter o retrato mais específico sobre o quadro.

Tem cura?

Para controlar a doença, segundo o COD do Hospital Oswaldo Cruz, é necessário que a pessoa mude seu estilo de vida, ou seja, que faça reeducação alimentar e que comece com alguma atividade física.

Com essas ações controladas, permanentes e conjuntas, a pessoa pode sair do quadro de obesidade e ter uma melhora na qualidade de vida. De qualquer forma, é necessária a ajuda de um especialista neste acompanhamento.

Tratamento para obesidade Para o tratamento da obesidade, os médicos devem observar os fatores de risco existentes para entenderem qual é a gravidade da situação do paciente, segundo a SBEM.

Com isso, eles vão conseguir indicar o melhor tratamento para cada um. De qualquer forma, é importante frisar que a terapia para obesidade deve ter o objetivo da diminuição do peso, mas também deve levar em consideração a melhora em relação aos riscos cardiovasculares e qualidade de vida.

Alimentação saudável Segundo o COD do Hospital Oswaldo Cruz, não há como não pensar em reeducação alimentar quando se faz um tratamento para obesidade. Com a alimentação adequada, a ingestão calórica diminui e isso afeta no ganho de peso, desde que esteja aliada a uma prática regular de exercícios.

Prática de atividade física Antes de mais nada, os profissionais orientam que a atividade física é qualquer movimento corporal produzido por músculos e esqueletos que resulta em um gasto energético.

A partir desta premissa, com a prática regular e constante dessas atividades, além do paciente melhorar o condicionamento físico, ele também sentirá diminuição no apetite, melhora do perfil de gordura, aumento da ação da insulina e melhora da autoestima e sensação de bem-estar.

Medicamentos Segundo a ANS, o objetivo do tratamento com medicamentos é a perda de 10% do peso corporal, o que melhoraria algumas das complicações da obesidade, como a hipertensão e diabetes.

Já os profissionais do COD do Hospital Oswaldo Cruz indicam esse tipo de tratamento para a pessoa que tem dificuldade em perder peso com a prática de exercícios e a reeducação alimentar, depois de já ter tentado, ou quando ela precisa de ajuda para lidar com algum transtorno gerado por alterações emocionais.

A cirurgia bariátrica sempre deve ser tida como a última opção dentre as outras. Ela é indicada para pacientes obesos que não apresentaram resposta ao tratamento clínico com medicamento, nem com a reeducação alimentar ou a prática de exercícios.

Quando o paciente é submetido a uma cirurgia, tem uma perda de peso de 20 a 35% do peso que tinha antes da bariátrica, e pode apresentar melhoras em relação às doenças relacionadas à obesidade.

Como prevenir o aumento de peso pós tratamento?

É importante que os pacientes criem a consciência de que a predisposição é um alerta para a vida inteira. Ou seja, as mudanças feitas para emagrecer precisam ser seguidas ao longo da vida.

Atividade física, reeducação alimentar, acompanhamento com nutricionistas e psicólogos, tudo isso precisa ser mantido caso a pessoa não queira voltar a engordar. Convivendo com o problema Para que a pessoa viva bem com a condição, é necessário seguir algumas medidas.

A primeira destas dicas é que ela não deve depositar todas as expectativas do tratamento no medicamento ou na cirurgia. É necessário que aquela que quiser entrar neste processo mude a forma de lidar com a alimentação e que realmente dedique tempo para uma atividade prazerosa para o corpo. Além disso, é importante que a pessoa se consulte com médicos e que não vá atrás de propagandas “rápidas”.

O processo de emagrecimento não é rápido, mas é neste meio do caminho que a pessoa vai encontrar o prazer nas novas formas de cuidar do corpo.

Como prevenir?

Os profissionais da área indicam que a melhor forma de prevenção é tomada quando a pessoa, desde a infância, tem hábitos alimentares saudáveis e uma prática de exercícios regular, como a prática de algum esporte na vida adulta. Segundo dados do Ministério da Saúde, a meditação também pode ser uma aliada no combate à obesidade.

Para os especialistas do COD do Hospital Oswaldo Cruz, dois fatores que podem aumentar as chances de desenvolvimento da doença é o aumento de estímulos externos (TV e computador, por exemplo) e o consumo de alimentos industrializados.

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Data: 23/04/2020
Fonte: ATIVO SAÚDE/SÃO PAULO