Cuidar dos pés é fundamental para diabéticos e pré-diabéticos. Veja como fazer

As preocupações e cuidados das pessoas com diabetes ou pré-diabetes, alterações iniciais de açúcares no sangue, vão muito além da indicação usual de evitar doces e massas com o objetivo de controlar a glicemia.

Os cuidados com o peso, uma vez que obesidade e sobrepeso são causadores principais do tipo 2 da doença, e atenção especial com os pés também são fundamentais para manter o diabético com a saúde equilibrada.

Para a perda de peso, é necessário incluir uma dieta balanceada e prática de atividades físicas e muitas vezes o apoio profissional ajuda muito. Já a atenção com pés tem de ser feita diariamente e pode ser em casa mesmo.

A preocupação com as extremidades inferiores do corpo é importante porque pacientes que não estão com os níveis glicêmicos controlados têm mais chance de apresentar a neuropatia diabética.

“A glicose alta no sangue começa a grudar nas proteínas do corpo, o que causa inflamação. Isso acontece primeiro nos pequenos vasos e nos pequenos nervos. Esses pequenos nervinhos estão principalmente nas extremidades e vão sendo lesados. Nos pés a inflamação é mais comum e aí acontece a neuropatia diabética, que é a perda da sensibilidade, acontecendo em primeiro lugar no pé”, explica Tarissa Petry, endocrinologista do Centro Especializado em Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.
Essa doença pode levar à amputação, que segundo a médica, acontecem pela associação da falta de sensibilidade com um sistema imune mais debilitado do diabético.

“A pessoa já está com perda de sensibilidade, mas não sente nada e não sabe. Mas qualquer lesão no pé. Pode ser uma micose, nessa micose pode entrar uma bactéria, evoluir para uma úlcera, uma infecção que vai piorando gradativamente. Piora muito mais rápido, porque o paciente é imunodeprimido e tem uma defesa pior”, diz ela.

Pacientes com uma complicação do diabetes, que pode ser a amputação, têm mortalidade mais alta e crescem as chances de outras consequências ruins, como a incidência de infarto e derrames.

Como cuidar do pé diabético?

Os cuidados são simples e o primeiro deles é observar o pé todos os dias. Se não conseguir, é necessário pedir para que alguém olhe se há machucados, escamações ou frieiras e micoses. “É importante olhar, lembrando que se ele tiver algum problema, ele não vai sentir”, alerta a endocrinologista.

Depois vem a preocupação com o sapato e as meias usadas, até porque é importante não andar descalço, nem em casa.

“Usar um calçado confortável e se puder mandar fazer com a forma do pé do paciente; não usar meias escuras. Porque se ele tiver uma ulcerazinha, um sangramento, na meia escura ele não vai perceber, na meia branca ele vai ver”, orienta Tarissa.

Para quem usa sapato alto, o salto tem de ser grosso e não pode passar de quatro centímetros. Todos os calçados devem ser deixados sempre em lugares arejados e antes de vesti-los é necessário checar se não há nada dentro que possa causar uma lesão.

Nada de fazer as unhas e tirar as cutículas. A recomendação é ir a podólogos especializados no tratamento de diabéticos e sempre cortar as unhas retas, sem deixá-las muito curtas. Manter o pé hidratado, para evitar cortes ou rachaduras devido à pele seca, também ajuda.

Médicos devem avaliar pés com frequência

Sempre que passar por uma consulta médica de rotina é importante pedir para o profissional olhar o pé e fazer a exames clínicos para checar a sensibilidade.

“É necessário fazer uma avaliação no mínimo uma vez por ano. São quatro testes de sensibilidade possíveis, quente e frio; dolorosa, monofilamento e vibratória. Temos que testar pelo menos duas e perguntamos para o paciente se ele está sentindo ou não”, afirma a especialista.

Como se prevenir da neuropatia?

Para evitar a neuropatia é necessário ter o diabetes controlado, com índices de açúcares no sangue baixos. “A pessoa for diagnosticada com a doença, precisa acompanhar com médico, diminuir o peso, para não venham as complicações”, alerta a médica.

Mas, se algum problema, mesmo que pequeno, seja notado nos pés a indicação é que a procura por ajuda seja o mais rápido possível. “Muitas vezes o paciente não dá importância para um cortezinho, uma micose e o problema já está lá. Muitas histórias de amputações no hospital acontecem porque o paciente demorou para procurar a gente”, lamenta Tarissa.

Brasil tem quase 25 milhões de diabéticos

De acordo com o Atlas do Diabetes de 2021, publicado pela IDF (Federação Internacional de Diabetes – sigla em inglês), o Brasil tem 15,7 milhões de pessoas entre 20 a 79 anos com diabetes e ocupa a 6ª colocação mundial no ranking dessa faixa etária, atrás de China, Índia, Paquistão, Estados Unidos e Indonésia.

Já entre indivíduos de 0 a 19 anos, o país está em 3º lugar, com 8,9 milhões de crianças e jovens com diagnóstico conhecido. Índia é 1ª colocada e Estados Unidos, 2º.

Porém, a endocrinologista ressalta que apenas metade dos diabéticos não sabem que têm a doença. Por isso, se a pessoa tem fator de riscos, precisa procurar um médico, principalmente se ela tiver mais de 45 anos.

“Se há diagnóstico de diabetes na família, principalmente próximo; se está acima do peso, principalmente aumento de barriga e gordura abdominal; se tem outras doenças associadas à obesidade, por exemplo hipertensão, colesterol alto, gordura no fígado. Tudo isso são sinais de alerta para que a pessoa faça a triagem para o diagnóstico de diabetes”, finaliza a médica do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Data: 06/03/2022
Fonte: R7.COM/SÃO PAULO