Cirurgia metabólica: alternativa para melhorar qualidade de vida de pacientes com diabetes tipo 2

Procedimento tem se consolidado como uma opção segura e eficaz para controle dos níveis glicêmicos e, mais recentemente, para controle da lesão renal provocada pela doença.

Novembro de 2020 – O Dia Mundial do Diabetes é lembrado em 14 de novembro para conscientizar a população sobre essa doença que, segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, atinge mais de 13 milhões de pessoas no Brasil. O diabetes tipo 2 (DM2) é considerado a versão mais comum da doença2, tendo a obesidade como um dos principais fatores desencadeantes3.

O DM2 ocorre quando o organismo não consegue usar adequadamente a insulina que produz; ou não produz insulina suficiente para controlar a glicemia. Além das altas taxas de açúcar no sangue, essa doença causa outros problemas de saúde como danos à retina e falência renal.

O comerciante Luiz Carlos Stefani, 63 anos, não sabia que convivia com o diabetes tipo 2 até que recebeu o diagnóstico em 2013. “Minha glicemia em jejum era por volta de 170 e, ao longo do dia, chegava em até 460. Em 2015, durante um exame, foi diagnosticado comprometimento renal e gordura no fígado em níveis alarmantes em decorrência do diabetes. Minha vida estava em risco”, relembra Luiz.

A doença passou a ser resistente ao tratamento medicamentoso e a glicose no sangue de Luiz não chegava aos níveis adequados. Por isso, seu médico o orientou que uma alternativa seria a cirurgia metabólica. Naquele mesmo ano, o comerciante passou pelo procedimento, realizado pelo grupo liderado pelo médico Ricardo Cohen, coordenador do Centro Especializado em Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Ao longo dos anos após a cirurgia, Luiz perdeu peso, conseguiu controlar o diabetes, normalizou o nível de gordura no fígado e teve remissão da doença renal. “Meus níveis de glicose normalizaram, minha pressão arterial se estabilizou, não tenho mais gordura no fígado e meus rins funcionam normalmente. A cirurgia metabólica salvou a minha vida e acredito que nasci de novo”, celebra.

Cirurgia metabólica, diabetes e a doença renal crônica

A cirurgia metabólica é recomendada para pacientes que, como o Luiz, apresentaram resistência ao tratamento medicamentoso. O procedimento geralmente utilizado é o bypass gástrico, em que há a redução do estômago do paciente e pequeno desvio da comida diretamente para o intestino, para a melhora dos componentes da síndrome metabólica – pressão, glicemia e colesterol.

A técnica é a mesma utilizada em cirurgias bariátricas, mas com objetivos distintos. Esse procedimento é reconhecido pelo Conselho Federal de Medicina como opção terapêutica no tratamento de pacientes com DM.

Além de trazer benefícios para o controle da glicose no sangue, pressão arterial e colesterol, um estudo liderado pelo Dr. Ricardo Cohen e recentemente publicado pelo periódico JAMA Surgery aponta que a cirurgia metabólica é um procedimento eficaz e seguro para diminuir os problemas renais em decorrência do diabetes, chegando a alcançar a remissão da doença renal crônica em estágio inicial em pacientes com diabetes tipo 2 e obesidade leve, com IMC de 30 a 35.

O estudo clínico, que recebeu o nome de MOMS (Resultados Microvasculares após Cirurgia Metabólica , em inglês), foi realizado por pesquisadores do Brasil e da Irlanda, com o apoio da Johnson & Johnson Medical Devices, por meio de sua franquia Ethicon.

De acordo com o Dr. Cohen, os resultados foram animadores. “Em um período de dois anos, 82% dos pacientes que se submeteram a cirurgia metabólica tiveram remissão da doença renal crônica em estágio inicial, contra 48% nos pacientes que receberam os mais modernos medicamentos”, ressalta.

Os resultados do estudo MOMS jogam luz sobre novas opções de tratamento para o controle do diabetes e prevenção da doença renal crônica associada a essa doença. “Essas descobertas apontam para um novo paradigma de tratamento para reverter ou impedir a progressão da doença renal crônica em pacientes com diabetes e obesidade.

O estudo MOMS conclui que a cirurgia é uma nova, segura e efetiva opção quando o tratamento medicamentoso não funciona”, explica Dr. Cohen.

Data: 12/11/2020
Fonte: JORNAL DIA DIA ONLINE/TRÊS LAGOAS