Bifum não é mais vantajoso do que macarrão comum: compare-os

O macarrão é uma das fontes de carboidrato mais populares no planeta. Além do tradicional, feito de trigo, outras versões dele chegaram ao mercado nos últimos anos e conquistaram espaço na mesa dos brasileiros.

Entre elas, o bifum, massa asiática à base de arroz, que ganhou fama por não conter glúten, proteína transformada em vilã pelas dietas da moda sem ser de fato culpada.

Polêmicas à parte, os dois tipos de macarrão são considerados boas fontes de carboidrato, que podem estar no cardápio, dentro de um prato equilibrado, com outros grupos de alimentos.

Conheça a seguir mais sobre a composição deles e como inseri-los de maneira saudável na rotina.

Ingredientes e perfil nutricional

Tradicional em diversos países asiáticos, o bifum é feito basicamente de arroz e água, o que o torna uma boa alternativa para os veganos, já que não possui ingredientes de origem animal. O macarrão tradicional leva farinha de trigo refinada e água, mas algumas marcas usam ovos.

Como ambos são feitos basicamente de carboidratos, seus níveis calóricos são semelhantes. Uma porção de bifum oferece 341 kcal em uma porção de 100 g e o de trigo tem 371 kcal —varia conforme o fabricante. O de trigo ostenta, contudo, algumas vantagens, como o fato de ter mais proteínas, 10 g, contra 5 g na porção de 100 g.

O teor de fibras também é maior no de trigo, 2,9 g a cada 100 g, enquanto o de arroz fornece 1,1 g na mesma quantidade. Essa combinação aumenta a sensação de saciedade. A versão mais tradicional possui ainda um teor maior de vitaminas do complexo B e alguns minerais, como potássio e magnésio.

Índice glicêmico

Outra teoria aventada no mundo fitness é que o bifum teria índice glicêmico (velocidade de chegada da glicose à corrente sanguínea) menor, e que, por isso, seria mais interessante para quem precisa perder peso.

Primeiro, vale esclarecer que ambos são muito parecidos, mas o índice glicêmico (IG) do macarrão de trigo é ligeiramente mais baixo, na verdade. Segundo a Universidade Harvard, o IG do espaguete clássico é 49. O de arroz, 53. Como contém mais proteínas e fibras, o tradicional ainda tem a carga glicêmica menor – isto é, a quantidade de glicose que chega à a corrente sanguínea depois da digestão.

Na prática, não é o índice glicêmico de um alimento isolado que definirá a qualidade da refeição. Se outras fontes de proteínas, gorduras e fibras entram no prato junto com a massa, ele já diminui.

Fora que o IG baixo não significa que trocar um pelo outro ajudará a perder peso. O que irá fazer diferença para o emagrecimento e para a saúde é a qualidade e a quantidade de comida ingerida.

E o glúten?

O fato de o bifum não ter glúten é bom para portadores de doenças celíacas e intolerantes à proteína com diagnóstico médico, e mesmo assim ainda há muita polêmica sobre a existência do quadro.

Pensando na população em geral, o rótulo “sem glúten” não traz nenhuma vantagem extra para o organismo. Sua retirada por conta própria pode, na verdade, levar a deficiências nutricionais e a uma intolerância real da proteína. Uma vez que deixamos de comer o glúten, o corpo deixa de fabricar as enzimas que o digerem.

Como preparar e montar o prato

O bifum fica pronto bem rapidinho —basta um mergulho na água fervendo e pronto. É preciso dar um choque térmico para interromper o cozimento. Ele pode ser servido tanto frio, em saladas, quanto quente, em receitas com caldo ou refogadas. Aproveite sua origem para testar sabores orientais no tempero, como gengibre, molho de soja e wasabi.

Independente do macarrão utilizado, para que a refeição fique completa e balanceada, insira no prato proteínas, como carnes e grão-de-bico, vegetais, em especial as verduras e legumes, e gorduras saudáveis do azeite e das oleaginosas.

O tamanho da porção deve levar em conta fatores como tamanho, idade e nível de atividade física. O valor costuma variar entre 50 e 100 g da massa crua. Cozida, ela dobra de tamanho.

Fontes: Madalena Vallinoti, nutricionista e diretora do Sindicato de Nutricionistas do Estado de São Paulo;Camila Carvalho, nutricionista do Centro Especializado em Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Data: 22/04/2020
Fonte: UOL NOTÍCIAS - ÚLTIMAS NOTÍCIAS/SÃO PAULO