Diabetes: entenda quando o tratamento cirúrgico é indicado

Reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina, a cirurgia metabólica é uma alternativa de tratamento para os pacientes com diabetes tipo 2

O diabetes tipo 2 tem como causa principal o aumento da gordura abdominal. O acúmulo de gordura gera um processo inflamatório que aumenta a resistência do organismo à ação da insulina e faz com que o pâncreas precise produzi-la em quantidades cada vez maiores, para tentar vencer tal resistência. O pâncreas, então, aumenta a produção de insulina para vencer esta resistência à sua ação e, consequentemente, vai sofrendo morte celular até que a insulina produzida não é mais suficiente e a glicemia aumenta.

O diagnóstico é feito quando o nível de glicose no sangue é de 126 mg/dL ou mais. Fazer exames com a frequência indicada por um médico é importante, pois estamos falando de uma doença silenciosa, cujos sintomas só se manifestam quando a glicemia já está muito elevada. Entre os sinais da doença estão: vontade frequente de urinar, fome e sede excessiva e emagrecimento, além de, visão embaçada e formigamento nos pés.

Tratamentos para Diabetes tipo 2

O diabetes tipo 2 pode ser evitado. A melhor prevenção é manter hábitos de vida saudáveis e um peso adequado, sem acúmulo de gordura no abdome.

Quando o diagnóstico da doença já é confirmado, além da mudança do estilo de vida, o tratamento clínico mais indicado para o diabetes é aquele que usa terapia combinada para agir contra as causas da doença e preservar ao máximo a massa de células beta (produtoras de insulina) do pâncreas. Existem muitas possibilidades terapêuticas disponíveis atualmente visando atingir o alvo de controle glicêmico.

Também é possível utilizar a insulina para o controle do diabetes tipo 2. Apesar de levar a um aumento de peso e elevar o risco de hipoglicemia, ela é necessária caso as medicações orais não sejam suficientes para controlar a glicemia e evitar complicações que a doença pode causar aos rins, olhos, extremidades (principalmente os pés) e vasos (do coração e do cérebro).

Cirurgia metabólica

Se o tratamento clínico disponível não for suficiente para o controle adequado do diabetes tipo 2, a cirurgia metabólica pode ser recomendada. É frequente a associação entre o aumento do peso e o risco de diabetes tipo 2, mas o que determina o risco da doença é a distribuição da gordura. O acúmulo abdominal, aliado à predisposição genética, leva à maior incidência de diabetes e dos outros componentes da Síndrome Metabólica (hipertensão arterial, aumento de colesterol e triglicérides).

O IMC sozinho não é capaz de predizer o risco de diabetes. Além disso, o IMC discrimina sexo (as mulheres têm mais gordura no corpo do que os homens), idade e forma física (um fisiculturista pode ter IMC acima de 40 por acúmulo de massa magra, por exemplo).

Também colabora para a separação entre IMC e diabetes tipo 2 a análise de pacientes com diabetes tipo 2 que passaram pela cirurgia bariátrica. Notou-se que o controle glicêmico deles era obtido muito antes da perda de peso importante.

É aí que entra a cirurgia metabólica. A partir de 2002, estudos realizados em animais não obesos e com diabetes mostraram a melhora no controle da doença após cirurgias com desvio do trajeto da comida no aparelho digestório. Com base nesses experimentos, a equipe do Centro Especializado em Obesidade e Diabetes do HAOC realizou um piloto de protocolo de pesquisa de cirurgia metabólica em pacientes com diabetes e obesidade grau I com melhora importante do controle glicêmico no pós-operatório. Vários outros estudos do tipo passaram a ser publicados no Brasil e no mundo.

Diante das evidências, o Conselho Federal de Medicina (CFM) passou a reconhecer a cirurgia metabólica como tratamento de pacientes com diabetes tipo 2 com IMC entre 30 e 34,9 kg/m², ou seja, considerados obesos grau I.

Os procedimentos usados na cirurgia metabólica são os mesmos da cirurgia bariátrica, sendo a derivação gástrica em Y de Roux (o bypass gástrico) a operação de primeira escolha, devido sua relação risco/benefício.

O que difere a cirurgia bariátrica da metabólica são os objetivos: na primeira, a indicação é para a pessoa que tem problemas ligados apenas ao ganho de peso (como doenças de coluna e refluxo gastroesofágico), enquanto a segunda foca na melhora dos componentes da Síndrome Metabólica.

Centro Especializado em Obesidade e Diabetes do HAOC: uma referência na área

Pelo pioneirismo e pela excelência de seus procedimentos, o Centro Especializado em Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz é referência no diagnóstico e tratamento clínico e cirúrgico do paciente com diabetes.

Coordenada pelo cirurgião bariátrico e metabólico Ricardo Vitor Cohen, a equipe médica multidisciplinar é composta por endocrinologistas, cirurgiões bariátricos e metabólicos, cardiologistas, nefrologistas, ortopedistas, enfermeiros, oftalmologistas, psicólogos, psiquiatras e nutricionistas. Trata-se do único centro integrado da América Latina dedicado a oferecer atendimento clínico e cirúrgico para obesidade e diabetes.

O primeiro passo é a consulta clínica com o endocrinologista, que fará uma avaliação completa da saúde do paciente, diagnóstico inicial e, se necessário, o encaminhará para outros especialistas. Desse ponto em diante, o paciente poderá contar com toda a equipe e com a infraestrutura completa do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, com 306 leitos de internação, 22 salas cirúrgicas, 44 leitos instalados de UTI e o que há de mais moderno em termos de tecnologia.

O Centro Cirúrgico disponibiliza salas equipadas para a realização de procedimentos de alta complexidade, com recursos inovadores, como focos cirúrgicos de LED, salas inteligentes com rastreamento de imagens, integração total aos sistemas do Hospital e transmissão de procedimentos ao vivo para o auditório.

Fontes e referências:

1. “Uma epidemia chamada diabetes”: conteúdo disponível em: http://centrodeobesidadeediabetes.org.br/tudo-sobre-diabetes/uma-epidemia-chamada-diabetes/

2. “Tratamento do Diabetes”: conteúdo disponível em: http://centrodeobesidadeediabetes.org.br/tudo-sobre-diabetes/tratamento-do-diabetes/

3. “Cirurgia metabólica”: conteúdo disponível em: http://centrodeobesidadeediabetes.org.br/tudo-sobre-diabetes/cirurgia-metabolica/

4. “Parecer CFM 38/2017”: conteúdo disponível em: https://sistemas.cfm.org.br/normas/visualizar/pareceres/BR/2017/38

Data: 23/11/2017
Fonte: PORTAL MINHA VIDA